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PRECISAMOS FALAR SOBRE MULHERES NO FUTEBOL

  • Foto do escritor: Xica!
    Xica!
  • 9 de out. de 2019
  • 3 min de leitura

Após do alvoroço da copa do mundo feminina, as mulheres continuam lutando por espaço no esporte

Há alguns meses, aconteceu a copa feminina e, pela primeira vez na história, ganhou uma visibilidade maior, apesar de não chegar nem aos pés da repercussão da do futebol masculino. E é com essa proposta que viemos aqui, mostrar o importante papel de algumas personalidades femininas nesse campo, perdão o trocadilho. São mulheres que escolheram a sua profissão, sem pensar no gênero e sim na sua identidade, escolheram por amor e estão dispostas a fazer o possível para que o seu trabalho e de outras mulheres sejam reconhecidos.


Júlia Vergueiro, 26, conta que já nasceu no futebol, em uma família na qual o esporte do coração era o futebol e sempre teve o incentivo dos pais. Se envolveu de forma mais seria no esporte quando estava na faculdade, onde fez parte da Atlética e se tornou diretora geral de esportes.


Decidida a trabalhar com futebol feminino, Julia largou seu emprego em um banco e se dedicou totalmente ao esporte, primeiro como jogadora do Pelada Real, em 2012.


O time Pelado Real é uma escola com o objetivo de empoderar meninas e mulheres por meio do futebol. Nasceu em 2011 com um grupo de amigas que se juntaram com interesse em praticar algum esporte. Em 2013, Júlia decidiu propor a dona Bibi Martins e a ideia era expandir os negócios e transformar aquela brincadeira entre amigas em um empreendimento profissional, deu certo. 

Atualmente, o Nike Football Club oferece treinos de futebol semanais só pra mulheres, além de apoiar o time.


Júlia conta que faz questão de ter mulheres treinadoras dentro do projeto, criando o modelo que não é padrão, desconstruindo a ideia de que futebol é coisa de homem, com figuras femininas, jogadora, professora e colega.


Mas afinal, por que não falamos de futebol feminino? Paula Matsushita, 36, a treinadora do time, responde: “É uma boa pergunta. Por que os programas esportivos não reservam um espaço na grade para informar dos acontecimentos? Às vezes usam o feminino para atingir o masculino, como foi na olimpíada. Falta muito para imprensa entender que o futebol feminino, já uma realidade, e merece sim seu espaço. Enquanto isso estamos trabalhando por fora para ter mais meninas e mulheres praticando, vamos fazendo nossa parte.”


Já na área de jornalismo esportivo, Michelle Gianella, 25, conta sua experiência: “No começo eu não queria trabalhar em esporte na TV. Era um departamento que só tinha homem. Me sentia um peixe fora d’água”. No início, se sentiu intimidada. “Era um meio muito mais machista do que é hoje (há 18 anos). Havia preconceito por eu ser mulher, porque eu era tratada mais como um objeto do que como apresentadora”. Michelle está à frente do Gazeta Esportiva e do Mesa Redonda, exibido pela TV Gazeta em São Paulo - foi pioneira na presença feminina em programas esportivos e lamenta ter sofrido, no começo, muito preconceito entre seus colegas de trabalho.


Alguns canais fechados deixam a narração por conta delas, como a ESPN e a Fox Sports, esta que proporcionou a participação de Natália Lara, 25, através do programa “Narra quem sabe” que escolheu três mulheres para narrar a Copa do Mundo e contou com treinamento para as narradoras, suporte de fonoaudiólogas, palestras e o intenso contato com profissionais da área - além de proporcionar a experiência de narrarem jogos da Copa América Feminina. Natália conta que frequentemente ouve comentários de que que mulher não sabe falar de futebol.


Michelle está no mercado há quase vinte anos e Natália ainda busca reconhecimento, mas o que as duas têm em comum é a consciência de que a mulher tem uma cobrança muito maior. No jogo da vida, as mulheres são capazes de driblar qualquer preconceito.


O cartão amarelo vai para os que não acreditam nelas. A expulsão vai para quem discrimina uma mulher. A punição vai para a sociedade machista. 


Nenhum preconceito nos limita.


E apita a árbitra.


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