O MUNDO DA MODA NÃO É PRA MIM!
- Xica!

- 9 de out. de 2019
- 2 min de leitura
O fato das mulheres ainda serem uma minoria em diversos âmbitos, não é novidade pra ninguém. E o no mundo da moda, pasme, não é diferente: 85% das mulheres não se sentem representadas em propagandas. Logo nós, as maiores consumidoras desta indústria.
O simples ato de comprar uma peça de roupa pode ser cruel, difícil e demorar horas - ou dias. Conversamos com a Marcella, estudante de odontologia, de 23 anos, para mostrar o quanto a jornada de uma consumidora é difícil, e claro, para identificação de demais mulheres que não usam 36.
Marcella conta sua experiência enquanto consumidora em principais lojas, essas grandes do shopping, de departamento, comumente "Não atendem as minhas necessidades, não acho o meu tamanho. Uso calça 46, que, no caso dessas lojas, é muito pequena, parece um 40. É frustrante. Tenho que pegar um tamanho 50, quando tem, que não é o meu real tamanho."
Quem nunca sofreu para achar o seu tamanho, que atire a primeira pedra. O problema da moda está estabelecido desde a representatividade em comerciais até a confecção: sempre pequena!
Marcella relata, ainda, que em algumas lojas não é nem capaz de entrar: já sabe que não tem sua numeração e vai se stressar a toa. A Zara, por exemplo, tem como maior numeração o tamanho 42. "A gente que é gordinha já entra na loja desanimada porque usa 46, quando percebe que esse tamanho nem existe,você pensa: meu deus, não existe roupa pra mim."
E nós rebatemos com dados: Segundo pesquisa realizada pelo Senai em 2013, as principais confecções e marcas brasileiras analisadas, são, na verdade, 10 centímetros menores do que o necessário para vestir bem e de forma confortável as consumidoras. Então, Xicas do Brasil, se vocês tentaram entrar em uma calça que, supostamente seria o seu número e não passou da coxa, fica tranquila, a culpa é das confecções!
Embora os tamanhos padrão para o corpo médio das brasileiras seja 42 e 44, seguindo a lógica 10cm a menos das marcas, a média ficaria entre o 42 e 46, e adivinhem? A maioria não produz essa numeração. Esta média de numeração se aplica a 64% das mulheres brasileiras, então, minhas caras, concluímos que a maioria das brasileiras SOFRE para comprar uma roupa. Marcella e todas as Xicas: vocês são a maioria.
Nós, consumidoras, estamos mais espertas. O consumidor de hoje, num geral, é aquele que lê o rótulo, pesquisa – e deixa de comprar caso algo esteja em desacordo. Estamos nos preocupando com questões ambientais, trabalhistas e representativas – e isso está refletindo no comportamento das marcas.
O mercado já está entendendo nossas necessidades. O último desfile da Victorias Secret, teve a sua menor audiência da história, por seus padrões de beleza inalcançáveis. Enquanto sua concorrente ThirdLove, foi avaliada em 750 milhões de dólares: Sua receita está no contato direto com suas consumidoras e no elogio à diversidade – o que inclui não só questões raciais, como também numeração disponível.
O ponto é: em 2019 já não cabem marcas que não sejam abrangentes e representativas. Ainda bem!
Texto de Victória Viveiros
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